Era uma tarde de segunda-feira 30 de janeiro de 1989 quando a notícia do acidente com o cantor potiguar Carlos Alexandre pegou o Brasil de surpresa. Inicialmente, as informações que chegavam de Tangará, no interior do Rio Grande do Norte, indicavam que além do artista os músicos e o motorista haviam morrido.
O grupo havia saído da capital potiguar no final da tarde do sábado 28 de janeiro para uma turnê no Estado de Pernambuco. Na noite de sábado foram 5 shows distribuídos por Recife, Zona da Mata e sertão pernambucano. No começo da manhã de domingo a apresentação foi em Vitória de Santo Antão, cujo show terminou por volta das 7h30. Em seguida o artista partiu com a banda para o município de Pesqueira. Carlos Alexandre, seria o primeiro a subir ao palco na festa de Santa Águeda, padroeira da cidade. Mas, diante da grande quantidade de pessoas eufóricas com faixas, cartazes e discos do artista ele foi o último a se apresentar. Os organizadores do evento temiam que logo após o show de Carlos Alexandre o público não esperasse as apresentações de Reginaldo Rossi e Agnaldo Timóteo.
O acidente

Acidente aconteceu na RN-093 entre São José de Campestre e Tangará/RN. Foto: Jornal Tribuna do Norte
Após a última apresentação, de sete shows, o artista e a banda deixaram a cidade rumo ao Rio Grande do Norte. Alcides Wandemberg, o motorista, havia dormido a noite inteira e estava pronto para pegar a estrada. Horas depois, já em Belém do Estado da Paraíba, após o grupo parar para tomar café em uma churrascaria Carlos Alexandre que havia passado a noite acordado assumiu a direção do próprio carro modelo Opala Diplomata.
Mas, por volta de meio dia ao passar pela RN-093 entre São José de Campestre e Tangará, a cerca de 100 quilômetros de casa em Natal, o artista perdeu o controle da direção, colidiu contra uma ponte e o carro desgovernado caiu sobre uma pedra. Carlos Alexandre foi arremessado para fora do veículo e morreu na hora. Já Sérgio Roberto Ribeiro de Souza, (baterista) e César Lima de Souza (guitarrista) morreram dentro do carro. O motorista Alcides estava no banco do carona e com o impacto foi jogado para baixo do porta luvas. Ele sofreu múltiplas fraturas e passou cerca de uma semana em coma em um hospital de Natal. O contrabaixista João Maria sofreu apenas uma torção no pé. Segundo um dos sobreviventes, antes do acidente fatal o velocímetro chegou a marcar 170 km/h.
Na época o cantor havia lançado o disco “Sei, Sei”. Após o trágico acidente, fãs e amigos começaram a chegar a casa do artista no bairro de Igapó, na Zona Norte de Natal e em Cidade da Esperança, na Zona Oeste onde moravam os músicos. Centenas de pessoas foram até a sede do Instituto Técnico e Científico de Perícia. Os corpos de Carlos Alexandre, Sérgio Roberto e César Lima só chegaram ao local por volta das 21h30.
O velório do artista ocorreu no ginásio de esportes de Cidade da Esperança e o enterro, que reuniu milhares de fãs foi no Cemitério Bom Pastor I, no dia 31 de janeiro. Uma multidão seguiu em cortejo chorando e cantando a música Feiticeira, canção que projetou Carlos Alexandre nacionalmente.
A história
Carlos Alexandre era o nome artístico de Pedro Soares Bezerra. Nascido no dia 01 de junho de 1957, no município de Nova Cruz, interior do Rio Grande do Norte, Pedrinho, como era chamado carinhosamente pelos parentes e amigos mais próximos, foi o sétimo de oito filhos do casal Manoel Martins dos Santos e Amélia Fernandes Bezerra. Os pais de Pedrinho se separaram quando ele ainda tinha pouco mais de um ano e seis meses. Sem condições de criar os filhos, a mãe os distribuiu na casa de parentes e amigos.
O garoto foi adotado por uma família de Jacaraú. Foi através das emissoras de rádio que ouvia no município do Estado da Paraíba que Pedrinho descobriu a paixão pela música inspirado em Evaldo Braga, Roberto Carlos e Elis Presley. O sonho alimentado desde a infância se tornou realidade em Natal, quando passou a morar com um dos irmãos adotivos e após casar com a única esposa Solange de Melo.
A carreira
A carreira de Carlos Alexandre começou em 1975 quando, ainda utilizando o nome artístico de “Pedrinho”. Em 1977, foi rebatizado como Carlos Alexandre.
O radialista Carlos Alberto de Sousa levou-o para a RGE, pela qual gravou um compacto simples com as canções “Arma de Vingança” e “Canção do Paralítico” que vendeu 100 000 cópias, seguindo-se o grande sucesso, “Feiticeira”, música composta pelo artista em parceria com Otavio Osvaldo Garcia, com 250 000 cópias vendidas. Seu primeiro álbum, lançado pela RGE em 1978, foi produzido por Janjão e Reinaldo Brito, e tocado pelo grupo Os Carbonos.
Em 1979, é lançado seu segundo álbum, “Voltei”, que embora sem ter feito sucesso na mesma proporção do primeiro, emplacou a música “A ciganinha” (Carlos Alexandre e Aarão Bernardo).
O ano de 1980 o cantor compôs “Já troquei você por outra” e mais uma vez a música foi uma das mais tocadas nas rádios de todo o Brasil. Apesar disso, até então algumas emissoras de Natal era “avessas” ao artista potiguar que tinha a simplicidade na essência.
Em 11 anos de uma carreira meteórica, Carlos Alexandre conquistou 15 discos de ouro e um de platina. Foram mais de 2 milhões de discos vendidos em todo o país. No seu repertório de sucessos, encontramos canções como “Arma de vingança”, “Feiticeira”, “Cartão Postal”, “Sertaneja”, “Senhor delegado”, “Canção do paralítico” e “A Ciganinha”.
Discografia
- Feiticeira (1978)
- Voltei (1979)
- Já Troquei Você Por Outra (1980)
- Mulher de Muitos (1981)
- Revelação de Um Sonho (1982)
- Cartão Postal (1983)
- Vem Ver Como Eu Estou (1984)
- Final De Semana (1985)
- Gato e Sapato (1986)
- Nosso Quarto e Testemunha (1987)
- Sei Sei (1988)
Exatos 36 anos após o trágico acidente que vitimou o artista e dois músicos, o artista ainda é lembrado pelas canções que fizeram sucesso em todo o Brasil.















































